quinta-feira, junho 16, 2005

Ermo lugar

E saí. Perdi-me por essas ruas e horas de confusão. Tomei-me a mim próprio como companheiro e fugi do mundo que me ocupa. Senti-me solto e livre. Senti-me em paz e inspirei a vida que me asfixia. Respirei, por fim. Sentei-me e calmamente me deixei ficar. Por ora não tive pressa. Porquê pensar e agir em segundos, se o mundo também é feito de minutos e horas? E assim fui ficando. Contemplei a luz que me invadia os olhos e ceguei-me na beleza do dia. E sorri. Abracei o momento com a alegria de uma criança. Ausentei-me da multidão, que me rodeava, e que vive embalada na ignorância de não perceber que vive. E ali estava eu, na cidade, isolado. Era um momento único e venturoso. Só meu, em comunhão com o dia, a luz, a vida!...Era a realização do prazer de existir e de sentir…Afinal, que seríamos nós, seres humanos, sem a faculdade única de sentir?...Meras máquinas imperfeitas de existência trivial. E deixei-me ficar. A sentir, a pensar. Talvez não fosse o tempo e altura de pensar, bem o sei. Mas na vida nada é da forma como queremos, mas sim, e apenas da maneira que tem de ser. E naquele, como eu, ermo lugar, senti a ilusão da vida e do mundo de que faço parte. Mas, mais uma vez, ali não era tempo de pensar. Não era tempo de lamentar. Não era tempo de chorar. Apenas e somente de sentir. E assim, ignorante, naquele ermo lugar, fui feliz.

quinta-feira, junho 09, 2005

Fósforo da vida!...

...arde levemente, sobre as brisas dum vento irrequieto. Que brinca, e vai brincando. Que brinca até adormecer, sobre um estrelado e eterno relento.

Tempo circular...

(...) É dia! Bocejo violento, devoro a realidade que se avizinha. Já é dia?! Liberto um sorriso. Prazer de renascer. Ser fénix ou seu oposto. Ser eu outro, se eu mesmo. No entanto, um todo novo raiar se anoitece! Tudo caminha para o fim. Tudo, nunca o foi na realidade. Porém, eu! desperto no sonho agora irreal, revejo os reflexos, sem nexo, de quem em mim adormeceu para nunca mais acordar! Verdade seja não existe mentira senão aquela em que acordo (onde tudo é mera discrepância entre um ofuscante surrealismo e um profundo ateísmo.)
As sombras vão-se estranhamente movendo. O tempo é um caminho circular que sempre brota duma oscilação dum sol poeticamente eterno.
Estranhamente é dia, ainda. O raiar perdido há muito mo canta. As nuvens se fazem fugidas, noutros outros lugares que não estes outros. Abro a janela, deixo-me entrar. 0 tempo vai fluindo pela brisa que desliza na sombra dum meu pensamento, ainda por sentir. E sem saber, da noite que aguardo e me faz viver, fecho os olhos, sem pensar um qualquer sentimento senão o de iludido viver! Quando os abrir, já será, então, a noite que ambiciono!?...
Surge o sol!... É dia! Bocejo violento (...)