sábado, abril 23, 2005

Perturbação interior

Relutante.Convicto.Adormecido na minha própria vontade de não adormecer, acabo por deixar-me invadir. Sem que o saiba. Sem que me aperceba. Quando o faço é tarde. Por ora toda a minha mente apressa-se a consumir-me angustiantemente. Sinto um aperto que não consigo dominar. Tento, tento…não consigo. Supera-me. Porquê? Não o sei. Luto e perco. Continuo submerso numa insana conjugação de pensamentos e sentimentos que me levam quase ao desespero. Olho em volta, levanto-me, deito-me, sento-me, caminho, por fim escrevo. Tento exprimir o que sinto e penso, mas não consigo. Penso se perceberás. Não creio. Atrapalho-me, as palavras não saem como quero, não as apago. Sou sincero. “Digo” o que penso como sinto. Turvo, mas sincero. Paro. Suspiro. Estarei triste? Estarei desiludido? Ou apenas melancólico?...não sei como estou. Mas bem não estarei. Sinto-me pesado. Carrego o meu mundo nos ombros. Não o partilho, mas queria. Mais uma vez penso se perceberás. De novo, não creio. Sinto-me sôfrego. O meu próprio intelecto sufoca-me. Torno-me no meu próprio inimigo. Asfixio-me e não sei porquê. Quero e tento perceber, mas não posso. Supera-me. Mas de que vale pensar, se a verdade se sente?..no entanto penso. E concluo. Resta-me esperar.

sábado, abril 16, 2005

Existo (ainda que inexistente)

É noite; somente existe um eu! sem metafísica, sem física! tudo o resto são restos de um eu não esquecido, mas jamais lembrado. No entanto, me abstenho, me forneço ao álcool da vida. Escolho vaguear ambulante, breve tragédia de aceitar meu destino destinado. Vou caminhando, sem parar, sem correr, sem nunca chegar, vou... como que entrando pelas portas desertas de mim, abandonando-me...vou sendo...
E Ser! Ser senão uma mais ilusão! Que seja ilusão a ilusão de saber estar iludido! Que seja ilusão a definição de um eu idealista sem ideais, dum eu reformista sem reformas... dum eu, solenemente, prisioneiro na prisão da sombra que aparento ser! É noite, ainda! E quero! Quero não querer!? Querer ser?

Eloquentemente, sobre meu pensamento pensado, fico na parte sonhada dum todo sonho que ao não existir... existe! ... fico por definir sobre a sombra de mim, sobre a junção de todos opostos!... Fico por existir! E sobre as palavras gritadas neste não sonho, “adormeço”! para o dia surreal... (...)