Perturbação interior
Relutante.Convicto.Adormecido na minha própria vontade de não adormecer, acabo por deixar-me invadir. Sem que o saiba. Sem que me aperceba. Quando o faço é tarde. Por ora toda a minha mente apressa-se a consumir-me angustiantemente. Sinto um aperto que não consigo dominar. Tento, tento…não consigo. Supera-me. Porquê? Não o sei. Luto e perco. Continuo submerso numa insana conjugação de pensamentos e sentimentos que me levam quase ao desespero. Olho em volta, levanto-me, deito-me, sento-me, caminho, por fim escrevo. Tento exprimir o que sinto e penso, mas não consigo. Penso se perceberás. Não creio. Atrapalho-me, as palavras não saem como quero, não as apago. Sou sincero. “Digo” o que penso como sinto. Turvo, mas sincero. Paro. Suspiro. Estarei triste? Estarei desiludido? Ou apenas melancólico?...não sei como estou. Mas bem não estarei. Sinto-me pesado. Carrego o meu mundo nos ombros. Não o partilho, mas queria. Mais uma vez penso se perceberás. De novo, não creio. Sinto-me sôfrego. O meu próprio intelecto sufoca-me. Torno-me no meu próprio inimigo. Asfixio-me e não sei porquê. Quero e tento perceber, mas não posso. Supera-me. Mas de que vale pensar, se a verdade se sente?..no entanto penso. E concluo. Resta-me esperar.
