segunda-feira, abril 30, 2012

Colocar... em verbos de vaguear.

O tempo flui como borboletas dançam. Meu Oriente distante. Não mais existe queimar dos papéis, dos livros. O isqueiro fica por acender, o divino fica por ser, por arder efémero. O sol navega ou caminha, o cruel conquistador de novos mundos, do oriente – sou uno de mim e demente do resto;
Eu prisioneiro de mim, preso de mim, livre de mim: o eterno fugitivo, sufoco silencioso - se o silêncio de um grito cai… cairia aqui…

E sinto… sinto como déspota de um só coração…

Não minto, guardo-a junto as chaves de mil e uma portas por abrir, por admirar, por fazer sorrir. Porém, caminho com o lua como sol ou norte. A constante constância da mudança desterra-me a alma – medo de viver, de errar…
Ser virgem e ambicionar o eterno. Ser chuva e desejar o toque do mar, caminho devagar… quando chegar?

F***


“O que quero dizer é diferente – continuou. – não é por escrever novelas e coisas semelhantes. É, sim, porque compreende e ama a natureza. Que importa a outras pessoas se uma árvore rumoreja ou um monte abrasa ao sol? Mas para si, há ali uma vida que pode sentir.
Respondi que ninguém «compreende a natureza», e que ao indagar e procurar compreender, apenas encontramos enigmas e caímos na tristeza. Uma árvore que se ergue ao sol, uma pedra crestada pelos temporais, um animal, uma montanha – eles possuem uma vida, têm uma história, eles vivem, sofrem, teimam, deleitam-se, morrem, mas nós não o compreendemos”
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“Ainda assim, a observação das nuvens e ondas foi mais agradável que o estudo dos homens. Com espanto, apercebi-me de que o homem se diferencia da restante natureza, especialmente por uma escorregadiça gelatina de mentira que o envolve e protege. Em breve observei em todos os meus conhecidos este mesmo fenómeno: o resultado da circunstância de cada qual ser forçado a representar uma personalidade, uma figura nítida, enquanto, de facto, nenhum conhece o mais fundo do seu ser.”

Hermann Hess in Peter Camenzind