terça-feira, outubro 30, 2007

Quadros.

De repente…alfaiates comem botões, esfomeados satisfazem a ira de tantas serem as cores de preços incertos. Mulheres nuas correm, fogem. A divina lâmpada cai no vácuo (tudo escurece), as nuvens à muito ameaçavam – aqueles que atentos, sabiam-no. As fogueiras da cidade recomeçam a respirar.

Assim, lágrimas apaixonadas invadem almas de gentes desprevenidas, e vendedores ambulantes queimam estradas com cigarrilhas baratas…
Botas gastas escorregam; o quadro sempre caí, parte-se – a rua alaga-se de aguarelas pobres, um todo ofegar de cores sem sentido – mas ainda assim o pregador mantém-se hirto: “é o fim, rezem. É o fim…”. Porém, alguém à distancia ri, caminha devagar; outro um pouco mais afastado culpa o governo. Chapéus voam, fazem-se livres, ateus do novo dia que teima em não urgir.
O fogo esmorece, os falsos soís desvanecem-se – tudo escurece (escurece o escurecer!) – A valeta conspurcada afoga-se e pouco tarda para as caravelas chegarem…


A questão forma-se: «Quem sou eu?»
Pista:
“Still, I’ll be always laughing like a clown”

B. M.



Porque não?
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“Gosto de dizer que sim. Dizer que sim é querer resolver problemas, é seguir em frente, é lançar-se sem medo, rejeitar as amarras da auto-preservação. Sim, gosto de fazer planos e projectos, gosto de imaginá-los concretizados. Não gosto de dizer que não. (...) Eu digo sempre que sim. E em cada uma dessa vezes, quero ser surpreendido. É isso que espero.”


José Luis Peixoto em “Hoje não”

terça-feira, outubro 09, 2007

De que matéria são feita os sonhos?

Nada move mais o "Homem", do que a busca incessante por algo maior do que ele próprio, seja resultado das suas crenças religiosas, intelectuais ou politicas.
Somos mais daquilo que realmente somos, a nossa transcendência nega tudo, menos a realidade onde estamos inseridos.
O facto de não acreditarmos em seres divinos na sua essência, permite-nos atingir o subterfúgio da realidade dos nossos dias, a busca permanente pelo "sonho".
António Gedeão disse "o sonho comanda a vida", eu digo o contrario a vida comanda o sonho, a ilusão de que a faculdade potenciadora da fantasia e do imaginário, controla o dia à dia, é pura mentira. A necessidade absoluta da projecção do consciente para a exterioridade leva à utilização deste artificio junto das massas, na tentativa de criar novos desígnios novas contemplações.
Na construção da nossa vida diária, temos de ser capazes de desmistificar o mito, de "sonhar mais alto", de construir uma realidade baseada não em especulações mas sim em experiências vividas.