sábado, maio 28, 2005

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Tenho tempo. Nada sou, e nada tenho que ser. Algo já fui, mas não o serei de novo. Porquê? Porque sim. Porque a vida assim o quis. Não escolhi, fui escolhido. Subi. Subi de tal modo que caí. Morri e ainda espero a ressurreição. E o terceiro dia há muito passou. Não contenho a mente que me crucifica o coração. Sou culpado de me culpar a mim próprio, mesmo sabendo que a culpa não me pertence. Sinto a alma parva, amordaçada e retorcida. Dói. Penso de novo na culpa. Sei que não a tenho, mas esta também não morre sozinha. Escrevo, falo. As palavras são armas poderosas, não tenho cuidado com elas, e sou apanhado no meu próprio tiroteio. Que fazer? Peço iluminação, orientação, algo. Algo que me levante, que me dê vida. Mas o quê?...se esta vida depende da sua própria morte?..Sinto que pouco posso fazer. Mais, sinto que nada posso fazer. Contudo, tento. De nada me vale. E penso. Porquê?...O que mudou?...Não serei o que sempre fui?...Creio que sim. Sinto o vazio…e nada posso fazer para o evitar. Por mais que queira, e querer é poder. Não sei o que se passa comigo. Não me reconheço. Sinto-me inútil. Sinto-me indefeso. Uma marioneta presa entre as bruscas cordas do destino. Sinto um aperto. Sinto-me abafado. Sem forças, sem motivação, sem vontade. A razão sucumbe a emoção. Sinto-me sozinho, como nunca. A solidão é a companheira dos meus dias. E deixo-me levar, no lento morrer destes dias solitários. Será que fiz tudo que podia fazer?...de certo que não. Mas bem tentei. Será que o amanhã existirá para mim?..Ou será o amanhã, uma mera continuação do meu hoje. Espero que não. Sei que não existe dia sem fim. Espero a noite então. Mas por agora, é dia.

sexta-feira, maio 13, 2005

Sonhos bebidos

Pego na garrafa... dou um mais golo na vida. Me dou ao sonho de me perder nos versos da solidão não rimada... Fujo, fujo ainda da realidade, aquela que nunca sonhei... um mais golo, profundo; olhos fechados, imaginando pensamentos verdadeiros se de tão alcoolizados... A garrafa, ou sua tentativa, se vai evaporando, me esvaziando a alma... vã tentativa de me perder!... ou me achar!...
É tarde! sempre fora tarde! sempre se fez tarde! o tempo foi passando e fiz meu, no sonho meu, aquilo que não fora meu!... fiz de meu sentir uma verdade! fiz-me sonho...
Espero ainda a chegada da lucidez ébria, para fugir... mas as horas vão passando, no entanto, os minutos sempre ficam por passar... e fico, escolho ficar... para assim não mais procurar encontrar algo de que me possa esquecer...
Escolho escolher! e escolho não escolher. Demência de me tornar dependente do esquecimento aparente...bebo até bêbado da irrealidade, até fazer do deserto que sou! um mais oásis...até não mais saber o que saber...
E nas lágrimas prisioneiras que derramo, ou suas ilusões de derramar, faço navegar meu pensamento “azul” por onde deslizam as gaivotas... dou, na já vazia garrafa, um mais golo...insisto em o desmentir... Penso ainda procurar esquecer aquilo que teimo em lembrar…Penso não pensar!...

Desisto!... o silêncio metafórico da noite me atormenta...