sexta-feira, maio 13, 2005

Sonhos bebidos

Pego na garrafa... dou um mais golo na vida. Me dou ao sonho de me perder nos versos da solidão não rimada... Fujo, fujo ainda da realidade, aquela que nunca sonhei... um mais golo, profundo; olhos fechados, imaginando pensamentos verdadeiros se de tão alcoolizados... A garrafa, ou sua tentativa, se vai evaporando, me esvaziando a alma... vã tentativa de me perder!... ou me achar!...
É tarde! sempre fora tarde! sempre se fez tarde! o tempo foi passando e fiz meu, no sonho meu, aquilo que não fora meu!... fiz de meu sentir uma verdade! fiz-me sonho...
Espero ainda a chegada da lucidez ébria, para fugir... mas as horas vão passando, no entanto, os minutos sempre ficam por passar... e fico, escolho ficar... para assim não mais procurar encontrar algo de que me possa esquecer...
Escolho escolher! e escolho não escolher. Demência de me tornar dependente do esquecimento aparente...bebo até bêbado da irrealidade, até fazer do deserto que sou! um mais oásis...até não mais saber o que saber...
E nas lágrimas prisioneiras que derramo, ou suas ilusões de derramar, faço navegar meu pensamento “azul” por onde deslizam as gaivotas... dou, na já vazia garrafa, um mais golo...insisto em o desmentir... Penso ainda procurar esquecer aquilo que teimo em lembrar…Penso não pensar!...

Desisto!... o silêncio metafórico da noite me atormenta...

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

as doces respostas esquecidas do alcool...a certeza de que por um minuto nao hesitam em seguir-se às perguntas..

fim de noite..metafora silenciosa?ou medo pelo ultima gota que ja te torna sobrio e afasta a ilusao de contestaçao facil?

6:26 p.m.  

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